Relato deveras ilustrativo e quiçá pormenorizado de uma estadia de exactamente 9 meses, 16 dias, 6 horas, 56 minutos e um número sem dúvida interessante de segundos e seus submúltiplos nos arredores da bela cidade de Platteville do 30º estado dos pequenos e nada importantes para a economia mundial Estados Unidos da América - Wisconsin - com recurso às mais diversas ferramentas de informação, comunicação e tal, de modo a transmitir, informar acerca de, comunicar, contar, dar a conhecer (e outros sinónimos destes últimos), da melhor forma possível e sem cometer falácias que prejudiquem a inteligibilidade do texto, as peripécias de um jovem português exilado num programa de intercâmbio cultural.

ou (traduzido por miúdos)

Coiso.

ou ainda (traduzido por miudinhos mesmo mesmo piquenos)

O meu (espantástico) ano nos EUA!!


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domingo, 18 de março de 2012

Ele há coisas que fassabor...

Bom, exactamente uns meses depois da última vez, regresso com mais novidades da cidade mais movimentada que o mundo já conheceu - Platteville (e olhem que o tipo conhece muita gente). Com cerca de 11 mil habitantes, esta povoação espanta até o viajante mais...viajado. Faz-se de tudo - seja ele dormir e comer ou ainda descansar e saciar a fome. Por vezes os mais ousados chegam a ingressar nas actividades de repousar e deglutir alimento...mas isso já é outra classe de pessoal...inclusivamente visto com desprezo pelo típico cidadão americano.

Não, mas agora a sério. Platteville, sendo pequena e insignificante, tem mais para um jovem de 17 anos do que a comum aldeia portuguesa onde cultivar batatas e falar com o dono do café acerca da namorada do Cristiano Reinaldo são basicamente as únicas opções. Inclusivamente, e voltando a Dezembro (onde ficou congelada a minha vida neste blog - perceberam a piadinha? "congelada"? tão engraçado...), última semaninha de aulas, e houve Spirit Week que significa que vai tudo dressed-up para a escola. Bonito...! Então um dos dias foi Candy Cane day (tudo encarnado e branco), outro foi Winter Day (gloves, hats, mittens), outro ainda Ugly Sweater Day (claramente o meu favorito....e era tan fêa...) e finalmente para o último dia, Comfy Warm Clothes Day...ninguém fez nada o dia todo, obviamente...tão quentinho, tão quentinho...

E (FINALMENTE), Winter Break. Sim, não há férias de Natal...que pode ser ofensivo...sinceramente, whatever. Se não houvesse Natal também não havia as férias, portanto se não querem que se chama férias de Natal porque não acreditam e pode ser ofensivo, não façam férias e continuem a trabalhar...olha que esta...bom...e para começar as férias como deve ser, fui com o Mateo, o Alemão (mais conhecido por Mathieu) e duas Amaricanas (Courtney e Alicia) ao centro comercial da capital do estado - Madison. Foi há tanto tempo que eu já não faço ideia o que é que se fez lá...só sei que recebi um pin a dizer "That's what she said", deixei o meu casaco de Inverno no carro da Courtney que foi no dia seguinte para o Tenessee e que a viagem foi todo o tempo a falar de...de...you know...de.

Nessa noite houve Pizza Hut porque o Jon queria celebrar o fim dos seus exames e depois houve filmes ( e claro, que tivémos que gozar com o Mateo porque ainda há-de chegar o dia em que ele não adormece num filme) e no dia seguinte seria Véspera de Natal. Já cá estavam o irmão e a mãe da Juanita (a minha host-cunhada) e recebi um presentinho mesmo gostoso deles - um pacotinho de doce de leite....hmmm...

O Natal foi coisa macaca...não, estou só no gozo...mas não foi assim nada de extraordinário. A única pessoa que estava cá e que cá não costuma estar, para além dos colombianos, era o Joshua, visto que todas as manas celebraram o seu próprio Natal nas suas residências com amigos ou outras partes da famelga. Lá se comeu o belo do fiambre e outros manjares de que, para dizer a verdade, já não se me recorda, cantaram-se músicas de Natal com o Josh ao piano e depois abriram-se os presentes – há que tempos que não me sentia tão “capanino” (grande Duarte Stock). Recebi luvas de neve, dois pares de meias quentinhas, uma caneta, jolly ranchers (uns rebuçadinhos gostosos), um relógio de cólidade (e mais um, mais tarde, dos meus adorados paizinhos), uma meia de pôr à lareira (como nos filmes…! Com o meu nome, notas de música, uma bola de basket, etc.) e ainda um cheque presente para o aluguer de skis num campo para aonde havíamos de ir dia 26 (de Dezembro). Eu não dei nada a ninguém. A sério. È que a encomenda de Portugal com presentes para todos só chegou quase um mês mais tarde…fail…bom, bom foi que nela vinha um livro de receitas portuguesas em inglês, de modo que agora já não tenho que ser a cozinhar comida potuguesa (como antes acontecia a toda a hora, claramente). Na manhã seguinte e como não podia deixar de ser, a meia à lareira estava cheia de coisas boas…! Primeiro, e mais importante que tudo o resto, MARSHMALLOWS – só tipo a minha comida favorita de todos os tempos -, além disso recebi gomas de ursinhos, pastilhas, gillettes (lol) e ainda hand and toe warmers – para quando fosse fazer ski com quase 20º C abaixo de zero... – foi beautiful.

Dia de Natal ainda e que melhor para fazer que ir ao cinema…não fomos, mas eu por acaso teria gostado…diferente, huh? O resto do dia foi até um pouquinho boring mas olha…sempre se viu o jogo de futebol entre as duas equipas rivais que têm fãs em Platteville – Chicago Bears e Green Bay Packers. Depois disso foi fazer as malas para mais uma grande aventura… Camp Forest Springs (CFS)…! O tal campo de que vos falava antes.

Como sabem, e se não sabem agora vão passar a saber, o conceito de campo de férias nos EUA é muuuuito importante, especialmente no que toca à evangelização e há imensos campos ligados a diferentes denominações religiosas. Este campo, onde uma das minhas host sisters trabalha e onde além dos meus pais de acolhimento outros 4 membros da família conheceram os seus actuais cônjuges ou quase, é um campo sem qualquer filiação a nenhuma igreja mas com inclinação Protestante. Porém, isso não impediu que, como Católicos, o Mateo e eu fôssemos muito bem acolhidos…! A sugestão de irmos a este programa de Inverno chamado Wintertainment partiu da Joy e surgiu como uma maneira de nos pôr a fazer ski da maneira mais barata possível, sendo que lá teríamos aulas grátis.

Fomos para cima com o nosso irmão Josh que seria voluntário no campo (no café, parte importantíssima) e por um dia estivémos na casa da nossa irmã em Rib Lake, uma das aldeias à volta do dito CFS. Claro que na primeira manhã nessa adorada casa, às 6 da manhã, já tinha uma pirralha de 2 anos a saltar-me em cima e a gritar “Bucky, Bucky!”…Não me perguntem o porquê do nome porque não sei mas ela insiste em deixar claro que esse é o meu nome… “You bucky…” Yes m’am…

Bom, o Wintertainment foi de 27 a 31 e ao chegarmos lá tivémos a agradável surpresa de descobrir que na nossa cabana estavam pessoas mesmo muito porreiras. E depois, claro que toda a gente conhece os Tarp… O campo funciona de maneira que cada cabana tem um Counselor que está responsável por nós mas que só “interesse” à noite quando voltamos – o dia é nosso. Além do ski – que aprendi e é brutalíssimo; e se não fosse alguns de vocês serem verdadeiramente bons à coisa, eu até me apelidaria de bastante espectacular haha – havia actividades como o Razzleblast (futebol para os rapazes e futebol americano para as raparigas no mesmo jogo), Dodgeball (tipo o Mata mas com dezenas e dezenas de pessoas), actividades de teatro e improv (com coisas do género, duas pessoas estão a fazer uma cena e de repente alguém diz “Stop” e vai trocar com uma delas e faz qualquer coisa completamente diferente; foi aí que conheci umas das minhas grandes amigas do campo, Joelle, cujos pais são missionários no México, e que andou sempre connosco desde aí porque nós – especialmente o Mateo – éramos pessoas com quem ela podia falar espanhol), Broomball (hoquéi no gelo com umas coisas semelhantes a vassouras), patinagem, Tubing (descer colinas de neve em óias gigantes – brutalíssimo; e quanto mais pessoas  com as pernas entrelaçadas, mais rápido e melhor) e ainda Animal Ball – ao qual a minha família tem uma história gloriosa.  Claro que para manter  tradição, eu e o colombiano tínhamos que jogar Animal Ball que é basicamente hoquéi no gelo mas com as mãos e não se pode agarrar a bola, tem que estar sempre a saltitar nas nossas mãos ou das nossas para as dos outros, portanto o pessoal passa o tempo no chão a dar cabo dos joelhos. O problema é que obviamente não sabíamos jogar e na equipa que formámos (em que havia pelo menos uma miúda apaixonada pelo Mateo…mas olha o que é que se há-de fazer…deve ser do bronze…) só havia um ou dois que já alguma vez tinham jogado (sendo que um deles é nosso host primo…! História engraçada visto que o James é super famoso no campo e quando nós vimos aquele rapaz mais escurinho, que depois soubémos se chama Michael e é filho de pai filipino, a dizer que é primo do James, dissémos um para o outro “pois, pois, claro…hahaha”…depois de muito conversar descobrimos que não – ele não era uma fraude…ups…). Ainda assim, ganhámos os dois primeiros jogos e só perdemos contra a equipa que depois foi à final contra os monitores.

Mas num campo religioso claro que parece faltar qualquer coisa…e falta. Todas as manhãs e fins-de-tarde tínhamos sessões em que um guest speaker (Dave Creek) falava acerca de um tema relacionado com uma passgem da Bíblia que ele tinha dividido por cada dia. Ora este senhor era espectacular… Com técnicas de chamar a atenção incríveis e histórias que só não cativam quem não está lá, fartávamo-nos de rir…só me lembro dele a dizer “And then the water just flowed around it and I was like ‘What are you? Moses or something…?’”…e nem posso explicar…bom, a verdade é que tudo isto tinha sempre algum resultado final, maior, e ensinava lições que marcaram…e não iam  de modo algum contra o Catolicismo…é mesmo bom ter esta perspectiva da bigger picture da Cristandade…e depois na cabana à noite, o counselor falava sempre connosco e respondia a perguntas e…estou mesmo satisfeito por ter ido, até porque ele era muito sincero e respondia a tudo, mesmo que fosse estranho. No final das sessões havia sempre música e isso era outro momento lindo, profundo e de proximidade com Deus. Aqui fica um exemplo de uma: http://www.youtube.com/watch?v=-08YZF87OBQ

No final do campo, e depois de eu já quase fazer slalom no ski…coff, coff…houve um campeonato de isso mesmo – Slalom – e outro de saltos, ambos giríssimos. Ah e claro que no ano passado o James ganhou os dois…show-off…(este ano já não pôde ir porque aquilo é 9-12th grades). Houve também uma Coffee House que é uma espécie de concerto informal onde há café e sobremesas disponíveis e onde nos podíamos inscrever para cantar o actuar de outro modo (eu só tentei inscrever-me tarde de mais). Além dos habituais desastres dos quais não se pode dizer nada, ainda por cima num campo cristão e tal, houve números hilariantes dos monitores em slow motion e um rap espectacular de um dos rapazes da minha cabana…ainda me lembro do refrão “Real life, real things. Real angels, real wings. We all hope for the best so we sing Hallelujah, Hallelujah” e ainda um jogo (trivia) de adivinhar séries e filmes pelas suas músicas.

Foi deveras espectacular e apesar dos vários graus negativos e da grandessíssima ideia de ir descalço desde o auditório até à cabana, no meio da neve, na última noite , tudo foi óptimo. Até aprendi pickup lines novas para a minha colecção e descobri a palavra tweeterpated…que se quiserem podem ir ver ao dicionário o que significa…mas eu digo-vos o contexto…havia este rapaz na nossa cabana que se “apaixonou” por uma rapariga do campo..e bom, o homem estava maluco…acontece que a miúda era muito…aaah…digamos…especial…bom, foi lindo…só rir…última noite e tudo já mais para lá que para cá e até houve alguém que lhe disse “Shut up and talk”…inspiradíssimo…

No dia da partida, houve muita gente a chorar…12th graders, último ano comp participantes e muitas memórias…eu por mim gostei imenso e até comprei uma camisola amarela fluorescente a dizer CFS só para nunca me esquecer, até porque até aí se tinham esquecido de nos fazer pagar e seria chato ir embora sem deixar um bocadinho de papel…haha, só a a brincar, não se assustem ;).  Também recebemos uma CD de fotografias, vídeos e com todas as sessões e foi mesmo boa ideia eu usar um casaco verde claro do James para skiar porque sei sempre onde apareço…! Antes da partida de volta a casa da nossa host sister, o Mateo e eu fomos convidados vaárias vezes a voltar como monitores mais tarde e, se depender de mim, voltarei com certeza.

Bom, mudando de assunto, era suposto eu e o meu irmão irmos passar a passagem de ano a Platteville e divertirmo-nos imenso mas…não arranjámos boleia para baixo – conclusão: ficámos entalados com os três míudos em casa da minha irmã Julie e com mais o Jon, a Juanita e a família colombiana dela… A passagem de ano foi bastante terrível…vimos pela televisão a festa em NYC e algumas das pessoas até foram para a cama antes da meia-noite…quanto a nós, e sem mais hipóteses, pusémo-nos em cima de cadeiras a pedir desejos e corremos à volta da casa como mandam as tradições portuguesa e colombiana, respectivamente.

Finalmente acabei o ano de 2011. Tenho mais dois meses e meio para escrever. Não se preocupem que serei mais breve nos próximos posts e desculpem lá pelos erros mas nem há tempo para rever…

"Ano Novo, Vida Nova". Veremos...

Beijinhos e abraços e…it’s the final countdown… J mas também L

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Whatever. I do what I want.

Ah pois é...esta é agora a minha expressão quase constante que acompanhada de um intenso southern accent faz as delícias do comum "amaricano". E a vida vai-se fazendo. Com jogos de "basquetebol" (e desculpem as aspas mas simplesmente adoro este aportuguesamento) e outros acontecimentos marcantes. E digo-vos (e com orgulho) que o máximo que joguei num deles até agora foi 45 segundos e senti-me um senhor...! Ah pois é! Não é tão insignificante como parece, tal a qualidade dos outros membros da "equipe" (outro que eu adoro). Mas há-que dizer também que me sinto cada vez melhor e mais tarde ou mais cedo sei que ganharei um bom lugar na equipa...a ver vamos. A minha magoada mão da época do futebol já está pelo menos kind of arranjada por um chiropractor (como é que se traduz isto exactamente?) aqui da zona e já não há desculpa  para não dar o litro. Let's go!

Gostaria de relatar fielmente os meus dias mas já lá vai algum tempo...tentarei lembrar-me do mais importante...

A escolinha vai andando, com construção de pontes em betão em POE, Hamlet em Inglês e...difícil...escrita em Creative Writing. Um concerto terrível do côro está especialmente presente com o terrível assassinato de uma das minhas peças favoritas - o côro do Hallelujah do Messias de Händel...bom, não falemos de desgraças...aqui fica uma versão fantástica http://www.youtube.com/watch?v=5_VARtvgGBY&feature=related. Além disso, e porque se falava de músculos em Dezembro em Adv. Bio (agora fala-se do sistema cardiovascular), fui com parte da aula à Universidade fazer testes físicos, concluindo que tenho definitivamente que comer mais McDonald's - o meu colesterol está demasiado baixo...ooops...sorry, Mãe. Também noites de bowling (de estrangeiros...e amigas...Vánessas e Élisas...e não querendo criar o estereótipo, não, não trabalham na indústria capilar...) e ainda nem sombra de neve permanente...e...esta vão gozar comigo mas...ainda não fui ao cinema e estou cá há quatro meses...que lindo...

Durante o mês de Dezembro ocorreu também a Winter Formal Dance - o baile de inverno, portanto . Porém, desta vez, as senhoras deveriam convidar os ilustres cavalheiros. E pois então ocorreu o convite de Sir Nigel pela bela (insert name here). Ahá! Achavam mesmo que ia revelar, não era..? Pois... Mas bom, foi engraçado...! Depois de intensos preparativos (ou não), o Mateo, que também ia acompanhado, arranjou boleia da sua date e lá fomos para a escola, coberta por 4 ou 5 cm de neve da noite anterior que derreteu dois dias depois quando a temperatura andou nos 10ºC (o que é espantoso para Dezembro e ainda mais para Janeiro, mas é o que está agora por aqui...). Mais uma vez rodeado por grinding lá arranjei maneira de me escapar da iniquidade (lol) e diverti-me substancialmente (lol, outra vez). Inclusivamente, e depois de o director ter proibido o grinding e de muita gente ter saído, algumas pessoas (com as quais eu não poderei sequer ser relacionado, quanto mais com a ideia) começaram a planear uma roda de grinding à volta do dito Principal que das duas uma: ou...até gostava, e aprovava, ou dava-lhe o treco. Boa ideia...

Depois do fim da atribulada (nem imaginam...) Dance de 17/12/11 ainda fui ao McDonalds com o Mateo e uns amigos (Katie, Josh and Megan) onde inclusivamente fui abandonado à porta sem sequer o meu casaquinho...isto anda-me a acontecer muitas vezes, parece-me...por fim, e para acabar em beleza, o Mateo e eu fomos dar um passeio nocturno pelas estradas campestres que rodeiam a nossa casa...não por muito tempo, porém...parece que estava friozinho...

Natal é também tempo de presentinhos...e já que os dos cães hão-de congelar, eu tomei a liberdade de presentear família e amigos, como bom português, e sempre com o slogan "Sabe bem pagar tão pouco". Claramente...E claramente também que os presentes foram todos muito irónicos. Por exemplo, tenho uma amiga que é americana de origem turca e me chama Portugal. Ora, portanto eu chamo-lhe Turkey. E tendo em conta que ela nunca come a comida unhealthy da escola, nada melhor do que lhe dar um pacote de...fatias de perú (turkey) para executar (como quem executa) a construção (como quem constrói) de "sanduíches" (esta ainda é melhor que as outras acima). Tremenda ideia. Tal como o livro de colorir do Scoobby-Doo para a míuda que não faz nada senão colorir na aula de Matemática...tudo coisas muito muito useful...!

Acho que hoje ficamos por aqui. Já tenho saudades de ir para a cama às 9 e meia e vai ser hoje mesmo...!

Meus amigos e minhas amigas - amanhã há mais. E calma convosco que "Roma e Pavia não se fizeram num dia".

"Comprimentos".

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Uma coisa por demais!

Sim! Mark my words!! Uma coisa por demais! Isto de uma pessoa ter que acordar às 5h30 para ir a um treino e depois ouvir comentários irónicos durante todo o dia tem muito que se lhe diga!! "Ah e tal, e como é que foi hoje o treino às 5h30 - sim, 5h30?"...Eu te digo como é que foi...olha a conversa...Ah e tal não...! Venho lá do oriente dizem-me uma coisa, chego cá afinal parece que não, fico chateado, pois com certeza que fico chateado...! Olha agora: liberdade e o camandro e depois vêm-me com histórias..! Eu é que lhes vou contar uma história não tarda! (e para terminar em grande, channeling a Sra Profª Elisabete Pardal) Olha a brincadeira...

Bom, by now devem ter percebido que não me agradaram muito os comentários desses anormaizinhos que dormem até às 7...! Meninos... (Mãe: nem uma palavra acerca da hora a que eu acordava em Portugal, se faz favor. Agradecido). É que nem foi assim tão mau...! Minto...foi um "pits pó chato" mas a vida é assim. Semana cansativa esta...2a e 3a treinos de manhã, todos os outros dias excepto 4a, à tarde... E musical ao mesmo tempo...aliás, sempre a seguir ao treino da tarde...

Logo na 2a feira, depois do treino da tarde, tive o Cross Country Banquet, que marcou o fim oficial da época. Todos lindos, jantámos, ouvimos o coach principal dizer umas palavrinhas acerca de nós (e a tentar dizer o nosso nome de maneira deveras engraçada...Leitchiao...sim, é isso...não se preocupe), recebemos um CC Yearbook, dissémos umas piadinhas engraçadas e depois demos presentes aos treinadores - que adoraram. E um deles foi uma bandeira com Platteville Cross Country estampado...para ficar! 

Ao mesmo tempo que isto acontecia, estava a ser um ensaio geral para o musical...que oportuno...cheguei atrasado mas bom...de qualquer forma ainda se parou imeeensas vezes, e a equipa técnica ainda não sabe as deixas e portanto...conclusão: temos para aí uma hora de espectáculo para reduzir... E eu continuo estupidamente apaixonado...que mariquice (aha)...e a minha única linha engraçada, em que eu dizia "Oh this is so hot" (da maneira ais esquisita possível, claramente) vai ser mudada para "Oh this is so neat" ou exciting ou whatever...sinceramente...

Isto na 2a feira... Na 3a à tarde só me lembro de estar num dos ginásios com o resto da escola a assistir a umas lutas de robôs construídos por várias escolas no âmbito de um programa universitário, de estar a fazer os meus TPCiês de Matemática muito relaxadamente e de repente um dos meus professores começa a falar Inglês e vou eu: "What the heck? Mas por que é que este paspalho está para aqui a falar estrangeiro...?". Não demorei muito a lembrar-me que me encontrava nos Estados Unidos da América...bonito...

Na 4a feira foi o Festival de Creative Writing...! Lá me levantei cedinho outra vez...mas só para ficar à espera dos paspalhões que resolveram chegar atrasados...! E eu que chego semprinha a horas! Rídiculo... Bom, lá íamos atrasados para a UW (University of Wisconsin) - Whitewater que para com certeza grande espanto de vósoutros, meus leitores, está localizada na improvável povoação de...Whitewater (quem diria, hem?). Eu ia num carro guiado pela mãe de um dos meus colegas...perdão, amigos (desculpe Sr. Prof. Pedro Ramalho) e depois havia uma carrinha guiada pela professora de Creative Writing, a ilustre senhora que fazia o favorzinho  de comentar os meus posts em inglês, já que vocemecês, meus amados leitores, não se incomodam muito no que toca a dar-me um bocadinho de feedback...pois é...está mal, está errado... (http://www.youtube.com/watch?v=FEcwCRUAEbA) Mas bom, seguindo em frente...foi esse mesmo o problema...a pobre da senhora, seguir em frente é que não conseguia e demos mais voltas no percurso do que aqueles cães estúpidos que nem uma porta a tentar morder a sua própria cauda (ui, ele até usa 'litaratura' agora no blog...! ui!). Nós a ver o tempo a passar e ela a rodopiar por ruas e ruinhas (ruelas é feio) que mais parecia uma bailarina (lindo: mais uma vez o emprego de um magnífico recurso estilístico). E finalmente recordou-se que tinha um GPS...foi bem a tempo..."Ai, esqueceu-se-me"...esqueceu-se-te, tivesse-te lembrado...! Olha agora...

Bem, o dito cujo (festival, diga-se) foi bastante engraçado e depois de uma abertura  no mínimo pouco ortodoxa e ainda mais no mínimo hedionda, a coisa começou a melhorar. Nas primeiras duas sessões estive no atelier de música e de letras de músicas, a acompanhar uns amigos meus e só à tarde, depois do almoço foi a minha sessão: humor. Pelo meio houve o almoço que foi também deveras engraçoso. Alguns de nós, fomos à Pizza Hut porque era buffet...e estávamos bastante refasteladamente a comer quando reparámos num pequeno cartazinho na mesa que anunciava "Before 2 p.m.: if we don't offer you a flavorblast, you get a starter for free" (ou qualquer coisa parecida). E nós que somos espertos como um alho picado, chamámos a senhora e dissémos "Minha senhora, não nos propôs um flavorblast e está aqui este anúncio". E começou a confusão... Primeiro, não podia ser porque era buffet...mas no papel dizia antes das duas e era meio-dia...depois recebemos um mal-educado "Whatever"...finalmente quando fomos pagar, ainda sem a dita entrada (que lhe dissémos que era pão de alho e que ela disse que já tinha pedido), o gerente disse-nos que não havia nenhum pedido na cozinha para pão de alho... Conclusão: não pagámos as bebidas (que também tinham vindo com um atraso gigantesco), ofereceram-nos um voucher para uma pizza e ainda levámos um copo...toma, que é para não seres mal-educada.

Depois do atribulado almoço, e com um pequeno atraso, lá fomos para a minha sessão: humor. E sim, levei a minha Ode to Grinding. Bom, modéstia à parte, toda a gente achou muita piada...não sei é se foi à dita cuja ou ao facto da minha pessoa ser estrangeira...pois...mas quiseram todos uma cópia do manuscripto (sabe tão bem armar-mo-nos em artistas, não é? ehe). Soube-se um destes dias o resultado. Não ganhei...foi pena... MAS...um dos meus amigos ganhou o primeiro prémio nesta mesma categoria (houve outros prémios na escola noutras categorias) e, sem querer tirar o mérito porque tem muito - aquela coisa estava MESMO com piada -, quem deu a ideia para o texto fui eu... É verdade...ele não sabia o que havia de fazer e o nome dele é Sam Krueger portanto eu disse-lhe "É simples - escreves sobre o teu Tio". Claramente. (quem não percebeu a piada pode pesquisar o nome Krueger...talvez ajude...). Curiosamente, em 3º lugar ficou uma história (tudo menos engraçada) acerca de um cowboy que comia um chili qualquer e ficava sem rabo...cheira-me a racismo...bem... :p

O festival não acabava aqui, mas havia quem tivesse que estar na escola às 16h portanto demos o baza sempre com o style Plattevi...lleniano...isso. Felizmente agora não dependíamos da prof. e portanto o nosso carro foi primeiro ao Mac e depois a um centro comercial...só porque sim. Lá se andou, lá se comprou uma prancha de snowboard (não para mim, claro..que seria...), lá se perdeu telemóveis duas e três e vezes...mas a única coisa importante foi quando eu visualizei (e quando digo visualizar, foi mesmo uma visualização rigorosa com análise pormenorizada de variados aspectos que...ok, já deu para perceber) alguém com um cabelo exactamente igual aquele que o meu vai ser daqui a 5 meses sem ser cortado...ah pois é...agora é que são elas...as pulgas...se eu não tiver cuidado... Quando voltámos já era kinda late e entre conversas estupidamente filosóficas e a minha mente a vaguear por entres lembranças de Kant e da Sra. Prof. Elisabete Pardal, já não fui ao treino de bashquétebóle. Mas não há probleminha nenhum porque na 5a feira já havia outra vez... :)

O resto da semana foi passado a dissecar asas de galinhas na aula de Biologia (cartilagens a voar, ossos debaixo de armários...memorável sem dúvida), a jogar Eclipse em Team Sports (uma mistura entre ténis e vólei...hm?! pois também não sei, filhos...), a falar de advérbios, adjectivos, nomes e pronomes e verbos e coiso em Inglês, a acabar a peça de Creative Writing com o resto do meu grupo (garanto-vos que nunca escrevi nada tão estúpido - se bem se lembram é baseada na Alice no País das Maravilhas e basicamente conta a história da Queen of Hearts, do White Rabbit e do Cheshire Cat ) e a fazer de conta com o resto da turma que somos muito bem comportadinhos em POE só porque veio um manda-chuva cá do Estado reacreditar o "curso" (uma voz docinha, docinha e um tinha um bigode à Hitler...claro que parecia um pedófilo... "Hellooooo, I'm Mr. Summers ou Winters ou lá o raio que o...sorry, entusiasmei-me aqui um pouquinho ;) ). Para além disso, numa das noites de musical, um amigo meu foi a um restaurante chamado Culver's comprar-me um "hambrógar" tal era a fome com que eu vinha do treino de basket. Eu disse que queria o maior hamburguer que lá houvesse - esqueci-me que estamos nos EUA...Giant Triple Deluxe Burger... quando acabei aquela porcaria estava tão mal-disposto...achei que ia ter um ataque cardíaco logo ali...nem imaginam. Ah e aconteceu-me também outra coisa...estava eu muito bem a fazer umas palavras cruzadas para POE na minha horinha de almoço e a ouvir uma quantidade de disparates à minha volta...lá continuo na minha...mas esta história refere-se a mim e a minha paciência, não dura sempre - ou melhor não dura quase nada...porém, com um golpe de força de vontade lá continuei com as minhas palavrinhas...o lápis cada vez mais carregado...finalmente, boom...explodi...então não é que se falava de como a religião e a ciência não são compatíveis? Revolução logo ali, e como eu estava chateado, porque se há coisa que um homem civilizado gosta de fazer em sossego são as suas palavras cruzadas (right, pai? ehehe), disse tudo o que tinha para dizer. No fim, com muuita tranquilidade (Sr. Paulo), e com caras espantadas a olhar para mim, despedi-me: "Adeus. Obrigado pela conversa". Estes portugueses são doidos...

Bem, já se faz tarde, e se há coisa que sempre me ensinaram acerca de uma boa noite de sono é que "Uma maçã por dia, mantém o médico afastado". Tenho dito.

P.S. - o meu beijo no musical é blackout, ou seja, só acaba quando as luzes se forem. O rapazinho das luzes está-me a tentar chantagear...isto é que vai aqui uma açorda, hem?